Hoje tive algumas experiências que me fizeram repensar o que eu mesma penso de mim muitas vezes.

To lendo “Água fresca para as flores” da Valerie Perrin porque vi, no anúncio da peça no Instagram, uma frase que dizia: “Temos que aprender a oferecer nossa ausência àqueles que não entenderam a importância da nossa presença.” (Pg 95).

Comecei a ler e me apaixonei por Violette. E talvez tenha voltado a me apaixonar por mim. 

Aquela história não é parecida com a minha. E ao mesmo tempo tem muitas coisas que eu poderia contar.

Comprei ingresso pra ir sozinha. Queria ir sozinha. Precisava ir sozinha.

Hoje, dia da peça, ainda na metade do livro, quase desisti algumas vezes. Me perguntei se deveria ir sozinha. “Porque eu quero” parecia uma resposta refutável.

De manhã, participei de um grupo de mentoria. Num dos exercícios, precisava escrever “7 pensamentos negativos”. Um deles foi: “me sinto sozinha apesar de estar cheia de gente comigo”. E não é quando eu estou com as pessoas. É quando eu to sozinha mesmo, em casa, no trabalho e acontece algo e eu tenho, pelo menos, 10 pessoas que eu passo a mão no telefone e posso contar. E elas estão ali comigo. Às 8h, 16h, 24h.

Passou o dia. Uma amiga me escreveu: “ Li uma frase agora e lembrei da gente: só eu posso, mas eu não posso sozinho. Obrigada, de coração, por me ajudar a poder.”

Um lembrete de que não estou sozinha.

Fui ao teatro, meio sem graça, meio vencendo o medo. Encontro uma moça na fila também sozinha, animada de estar ali. Respirei.

Sentei na minha poltrona. Vem Marcella Muniz, a atriz, caracterizada de Violette, com 2 buquês na mão. Olha pra minha poltrona, tinha um velcro. Olha pra mim e diz: “Dizem que sentar na poltrona que tem flores é sinal de sorte.”

Um lembrete de que não estou sozinha.

Eu li metade do livro. E ao assistir à peça, me senti abraçada pela metade que eu li. Falava as falas junto com ela. Imaginava os personagens. Ria. Chorava. Ouvia as fungadas de choro na plateia.

Um lembrete de que não estou sozinha.

A outra metade da peça, que ainda não li no livro, me abraçou apertado. Me olhou nos olhos e disse: tu não estás sozinha, descansa e te diverte com a vida.

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