Durante 7 anos, vivi com portas fechadas, janelas trancadas e uma vida a meia luz.

Me acostumei com esse aconchego do lar, do eu, do rotineiro.

Durante 7 anos, abri algumas janelas, acendi as luzes algumas vezes, mas nunca abri as portas. Pisar fora, então, parecia uma tarefa muito difícil, beirando o impossível.

Durante 7 anos, olhei pra fora, deixei a luz entrar, convidei algumas pessoas pra dentro, coloquei outras pra fora. Tudo muito simples, tudo muito restrito, muito seguro.

Durante 7 anos, vivi o que eu queria, podia, acontecia. E vivi pensando no que aconteceria se abrisse as portas, se deixasse mais pessoas entrarem, se tivesse mais luz.

Depois de 7 anos, abri uma fresta da porta. Entrou vento, muito vento. Entrou luz. Bagunçou tudo por uns minutos. Me perguntei se deveria deixar assim, se deveria abrir mais.

Uma parte de mim quis abrir. Outra quis fechar. Uma parte se orgulhou da fresta. Outra achou que foi demais. Uma parte gostou da bagunça que ficou. A outra só pensa em arrumar tudo e fechar de novo.

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