Clube novo sempre chama atenção. Clube novo com boa estrutura é melhor ainda. Clube novo, com boa estrutura e despontando no cenário nacional é perfeito para jogadores em início de carreira e para atletas experientes.
Mas, no clube novo todo mundo acha que pode mandar. O novato acha que pode mandar porque quer aparecer, quer ser a revelação do time, quer mostrar todo o seu potencial, quer ficar conhecido. O veterano acha que pode mandar porque já é conhecido, quer expor sua figura na mídia, quer mostrar que ainda é tudo aquilo e que pode fazer a alegria da torcida.
Dirigente de clube novo tem que prestar muita atenção nisso tudo. Não basta ter que cuidar dos bastidores, contratações, imprensa, CT, ainda tem que saber lidar com o ego do seu elenco e dos que anseiam entrar para o plantel. E tem que saber se posicionar, se não, fica nas mãos desses aproveitadores e joga fora tudo o que já foi construído.
Nesse cenário, apareceu um jogador, que não era tão novo no futebol, mas que era novidade para dirigente, contando suas conquistas, dizendo que poderia ajudar ali, melhorar aqui, querendo começar uma negociação. Um pouco desconfiada, a presidente foi buscar informações no mercado sobre aquela peça e consultou olheiras, treinadoras e amigas cartolas. Soube de algumas histórias de falta de comprometimento nos treinamentos, de declarações comprometedoras à imprensa e de um comportamento irregular em campo. Continuou com o pé atrás, mas resolveu ouvir o que o rapaz tinha a dizer. Chamou-o para uma reunião:
– Essas coisas que você ouviu por aí são passado. Meu último contrato foi rompido, mas nem tudo o que saiu na imprensa é verdade. Eu não tinha apoio da diretoria, não me sentia feliz lá. – Argumentou ele.
– Eu já conheço o seu tipo. Quer vir para um clube novo na tentativa de se redimir com os torcedores e com a imprensa. Quer recuperar sua imagem aqui para conseguir uma negociação melhor depois. Conversei com sua antiga dirigente, esse seu papinho não me convence.
No melhor estilo “eu nunca vou te abandonar”, ele continuou:
– Calma. Eu to aqui com meu coração aberto, oferecendo minha habilidade, meu amor ao seu clube, minha dedicação, meu nome, meus contratos de publicidade e toda a mídia que eu vou gerar para você. E só para você. Porque eu acho que temos muito em comum, eu adoro esse seu jeito de comandar, sua coragem e segurança e a confiança que você tem. Eu quero ter a mesma admiração que todos que trabalham aqui tem por você. Eu jogaria até na Letônia se você pedisse. Me dá essa chance de provar que nós podemos ser felizes juntos! Eu sei que podemos!
Moradessajogador?!
Sem acreditar em toda aquela cena, a pobre presidente levantou o jogador, que já estava de joelhos, sorriu e pediu que ele se retirasse. Por compaixão, deixou que os móveis e troféus da sua sala fossem as únicas testemunhas daquela situação embaraçosa.
Dica do Muricy: Só o Ronaldo conseguiu fazer besteira e continuar sendo admirado. Ponha-se no seu lugar!
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