O brasileiro tem um jeito especial de viver o futebol. Aqui todos os meninos nascem com o mesmo sonho. Muitos tentam. Alguns conseguem. Os sonhos mudam, a vida ganha outro sentido, mas a paixão pelo futebol só aumenta.

Em outros países, as coisas não funcionam bem assim. Nos Estados Unidos, por exemplo, a nossa paixão disputa espaço com o basquete, futebol americano, beisebol, hóquei no gelo, ligas universitárias, e isso só pra citar alguns. Em países futebolisticamente subdesenvolvidos a cultura é outra. Lá, ninguém tem a pretensão de viver do futebol. Os costumes, a língua, os pensamentos e atitudes são muito diferentes dos nossos.

Uma dirigente precisava de uma grande contratação para as finais do  campeonato estadual. Procurou vários nomes no Brasil, de novatos a experientes, de bons salários a desempregados, nada. Não conseguia um nome que tivesse as características que ela precisa. Foi quando outra presidente de clube deu a dica: buscar fora do país, em mercados pouco conhecidos, onde os salários não são tão altos, mas a qualidade do jogador é muito boa.

Não demorou muito pra ela encontrar seu nome. Perfil: disposto a mudar de vida, aberto à negociação, habilidoso, bem-sucedido no seu país. Tudo o que ela precisava. A aproximação foi inevitável. Encontro marcado em gramados tupiniquins.

Ela, um pouco ansiosa, começou a conversa:

– Bom, estava procurando alguém como você. Preciso de um atacante que traga emoção para a equipe. Alguém que compartilhe os mesmos valores que eu e que colabore para o desenvolvimento do time.

Ele, tentando falar português, respondeu:

– Estou feliz com sua proposta. Acho que temos muito em comum e estou disposto a viver essa nova etapa da minha vida com muita dedicação. Já estava procurando uma oportunidade como essa e aqui parece o lugar perfeito para isso. Nossa parceria tem tudo pra dar certo!

O desenrolar da reunião foi excelente: muita objetividade, trocas de elogios, risadas e o sentimento de que tudo daria certo e todos só tinham a ganhar.

– Obrigada pela chance. Estou 100% focado nesse projeto e com o seu apoio quero me entrosar rapidamente e ajudar nessa reta final de campeonato. – Disse ele.

– Acredito que nossa parceria tem tudo pra dar certo. Fiquei muito feliz com a evolução que tivemos durante esse tempo e sei que fiz a escolha certa.

Na hora da despedida, ela já estava certa de que sairia dali com a data da apresentação oficial marcada. Coração acelerado, mãos trêmulas, pupila dilatada… Levantaram da mesa e para selar o acordo ele deu um ABRAÇO nela.

Moradessajogador?!

Dica do Muricy: Antes de iniciar uma negociação internacional, conheça mais sobre a cultura do país de quem te procura. Isso já te coloca na entrada da área.

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