Jogadores do mundo inteiro esperam a convocação pra representar seu país. A primeira é guardada com carinho na memória. Alguns recebem a chance ainda nas categorias de base e seguem um belo caminho até à chegar a principal. Outros começam a caminhada já com a camisa mais importante do país. Não existe o certo e o errado. Existe a visão do treinador.
Contrariando a lógica, a técnica convocou um novato atacante, que teria sua primeira vez na seleção. Ele era o único estreante do grupo, o que fez com que a dirigente se preocupasse com a sua adaptação e desse um pouco mais de atenção a ele. Durante o período de treinamento, ele estava dedicado. Queria mostrar serviço para a treinadora e não perdia a oportunidade de ficar perto dela para ouvir seus conselhos e pedir sua opinião.
– Queria agradecer seu empenho em me ajudar nessa preparação. Suas dicas são muito importantes pra mim.
– Estou apostando em você, quero muito que sua carreira aqui comece da melhor forma. Temos que ser cautelosos para não queimar etapas, mas acredito que pode dar certo.
O jogo estava marcado para a próxima semana e esse tempo foi o suficiente para que ela percebesse que ele tinha o seu valor. Não sentiu o peso de jogar com grandes craques e estava sempre disposto a ajudar. Fazia seu trabalho na grande área, mas voltava para marcar quando perdia a bola.
No grande dia todos estavam ansiosos para saber que time seria escalado. A imprensa não acreditava nele, pois a equipe tinha os melhores jogadores do mundo. Ninguém seria louco o suficiente para não escalar o vencedor da “Bola de Ouro”. Ela fez suspense até o último minuto e quando a lista foi divulgada, a grata surpresa de vê-lo como titular, desbancando nomes consagrados do futebol nacional. O menino seria o grande nome do jogo? Aposta feita.
Depois de um primeiro tempo sem emoção, a treinadora chamou mandou o rapz aquecer e falou: “Entra lá e cai mais pela direita, tem um espaço na defesa, pode ser tua grande chance”. Orientação recebida é orientação cumprida. O time jogava mais solto e numa roubada de bola no círculo central, ele correu pela direita, recebeu a bola livre de marcação e driblou o goleiro. A treinadora foi à loucura, expectativa altíssima, seria o grande momento de todos. Ele chutou com o gol aberto: NA TRAAAAAAAVE!
Moradessajogador?!
O estádio inteiro calou. Dizem que nem os narradores conseguiram terminar a frase. O grito de gol esgangou. A treinadora não acreditou. Decepcionada, ela passou o resto do jogo sem conseguir falar mais com ele. A imprensa não a deixaria em paz. Seus dias no comando da seleção nunca mais seriam os mesmos. E ele, mereceria uma segunda chance?!
Dica do Muricy: A consagração é um prato que nem sempre se come

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